Não fui apenas ao cinema

13.11.06

Minhas cenas favoritas 13 - Gritos e Sussurros (1972)

Segundo Ingmar Bergman (o diretor deste filme), o interior da alma humana deve se parecer com uma membrana vermelha, que lembre sangue. Por esta razão, tudo em Gritos e Sussurros é vermelho: os papéis de parede, tapetes, cortinas. Apenas a cena final escapa a esta claustrofobia... uma cena idílica, não menos impactante, que, de certa forma, nos alivia o sofrimento. Um filme doloroso.

10.11.06


Aos que estão acessando este blog pela primeira vez, aviso que os posts mais antigos (dos dois últimos anos) podem ser lidos no endereço anterior, que é o http://www.fuiaocinema.zip.net/.

6.11.06

Minhas cenas favoritas 12 - O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (2001)

O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain, 2001) produz no espectador o tão almejado efeito de catarse que sempre buscamos nos filmes. O moderno conto de fadas que nos transporta para bem longe... para uma Paris colorida, alegre e docemente insana. Um mundo que, obstinadamente, nos recusamos a deixar de buscar. Adorável e impossível de resistir.

5.11.06

Minhas cenas favoritas 11 - Apocalypse Now (1979)

Grandes diretores têm a habilidade de transformar uma cena violenta em um momento esteticamente bonito. Assim é a majestosa seqüência do ataque dos helicópteros a uma aldeia vietnamita, ao som de A Cavalgada das Valquírias (de Richard Wagner), em Apocalypse Now (Apocalypse Now, 1979). Puro balé, de tirar o fôlego. Li, certa vez, na net, que um estudo da organização britânica RAC Foundation for Motoring elegeu A Cavalgada das Valquírias como a música menos aconselhável de se ouvir enquanto se dirige. Será que Coppola sabia deste detalhe?

Minhas cenas favoritas 10 - Noites de Cabíria (1957)

O mundo da ingênua prostituta Cabíria, criado por Fellini e magistralmente interpretado por Giulietta Masina, é cruel e desolador. Paga-se um preço muito caro para sonhar, muitas vezes com a própria carne. Mas nem tudo é desilusão e pessimismo... o toque de fábula vem do olhar esperançoso de Cabíria em relação ao mundo, capaz de transformar a realidade em sonho e fantasia. É esta a mensagem dos momentos finais de Noites de Cabíria (Notti di Cabiria, 1957). Umas das cenas mais bonitas que o cinema já produziu.

4.11.06

Minhas cenas favoritas 9 - Cinema Paradiso (1989)

A seqüência final de Cinema Paradiso, uma montagem com cenas de beijo no cinema (consideradas indecentes pelo padre local e preservadas da destruição por Totó), é uma bela homenagem ao romance e à arte cinematográfica. Desafio aos cinéfilos de plantão a identificarem os filmes que aparecem. Quem ainda não viu a cena, não perca a oportunidade de assisti-la no link do youtube. Obrigatória!!

Minhas cenas favoritas 8 - Casablanca (1943)

Casablanca não poderia ficar fora dessa lista. Fica até difícil de escolher a melhor cena do filme. Por ora, fico com a beleza irretocável de Ingrid Bergman, ao som de “As Time Goes By”. Deixo, aqui, as palavras do crítico americano Roger Ebert:

“Há filmes mais grandiosos, mais profundos. Filmes de maior visão artística, mais originais, de maior significado político. Há outros títulos que colocaríamos acima dele, em nossas listas dos melhores filmes de todos os tempos. Mas quando chega a hora dos filmes que apreciamos mais, quando confidenciamos os segredos de nossos corações para alguém em que realmente confiamos, a conversa, cedo ou tarde, desemboca nas mesmas seis palavras: “ – Eu realmente adoro Casablanca.”; “ Eu também.””

3.11.06

Minhas cenas favoritas 7 - 2001, Uma Odisséia no Espaço (1968)

2001 – Uma Odisséia no Espaço (2001 – A Space Odyssey, 1968) é, assim como quando na época em que foi lançado, um filme perturbador. É, em sua plenitude, um filme filosófico e não há por que encontrar respostas nele... apenas reflexões. A cena, embalada pelo trecho de Assim Falou Zaratrusta (de Richard Strauss), é plasticamente bela. Um filme ainda e sempre moderníssimo.

O Sacrifício (The Wicker Man, 2006), em cartaz nos cinemas de João Pessoa, é a refilmagem do cult O Homem de Palha (1973), filme britânico que aterrorizou as platéias dos anos 70. O policial Edward Malus (Nicolas Cage), após presenciar um acidente em que mãe e filha são carbonizadas num desastre automobilístico, fica psicologicamente abalado. Em meio a uma licença do trabalho, Malus recebe uma carta de sua ex-noiva, relatando que a filha está desaparecida e que só pode contar com ele para encontrá-la. Ele parte, então, para Summersisle, uma ilha isolada na costa americana (local do sumiço), para tentar encontrar a menina. Lá, ele percebe que a exótica ilha é habitada por adoradores de uma religião pagã, que acoberta segredos, principalmente relacionados à festa anual da colheita, promovida pela comunidade.

Summersisle é uma sociedade matriarcal, fechada aos habitantes do continente. Os homens são poucos e desprezados, com uma única serventia: procriação (como um zangão, na sociedade das abelhas). Aliás, são várias as referências às abelhas: a ilha vive em uma espécie de sociedade agrária e hierárquica, que vive da produção de mel; Irmã Summersisle (a sempre ótima Ellen Burstyn) é uma espécie de abelha-rainha; figuras hexagonais (lembrando uma colméia); e cores amareladas. Acima de tudo, o policial é alérgico àqueles insetos (trazendo sempre, junto consigo, o kit anti-alérgico).

O filme tinha um grande potencial para dar certo, caso o diretor tivesse sido mais habilidoso em lidar com a riqueza de subtextos que o argumento do filme poderia fornecer (e que parece ter sido atingido no filme de 73). A guerra dos sexos, e a crescente crise dos homens de serem dispensados de suas funções, desde a revolução feminista, não é apresentada de forma habilidosa no filme: alternando momentos de excessivo didatismo (como, por exemplo, quando Nicolas Cage presencia um grupo de garotas, na escola, respondendo à professora que os homens são apenas um símbolo fálico), com cenas que despistam o espectador da mensagem subjacente.

Além disso, o filme não consegue impor suspense de forma eficaz. Não sentimos apreensão pelo policial, não conseguimos nos identificar com Willow (a ex-noiva), nem nos apiedamos da garota desaparecida. Quando, finalmente, chegamos à cena do sacrifício aos deuses da fertilidade (que deveria funcionar como clímax), vemos a Irmã Summersisle, alegoricamente pintada de azul, e Nicolas Cage, vestido em um fantasia de urso. Desconfio que a resposta do espectador à cena não deve ter sido a mesma pretendida pelo diretor.

Nota: 6,0

2.11.06

Minhas cenas favoritas 6 - Kill Bill (2003)

Quem fala que Kill Bill é mais um filme de lutas marciais não entendeu a proposta do diretor... essa cena aí não está mais para um balé?? Um pedaço antológico para minha coleção de pérolas do cinema.

1.11.06

Minhas cenas favoritas 5 - Gilda (1946)

Porque nunca houve uma mulher como Gilda...

A famosa cena do strip-tease de Rita Hayworth, cantando Put the blame on Mame, em Gilda (Gilda, 1946). Aliás, o filme todo é perfeito!!